
Chegou o fim do ano... Agora é tempo de festa e reflexão sobre o ano que se passou...
De um dos anos mais turbulentos da minha vida, houve muito que eu aprendi e que irei levar comigo adiante, porém, ao mesmo tempo, tem muita coisa que eu queria poder deixar pra trás...
Mas, não é fácil... Assim como é difícil pensar nesse ano sem me lembrar de certas coisas...
Como por exemplo a primeira vez em que eu perdi a cabeça e parti de um porto seguro para mares desconhecidos, simplesmente me deixando levar pela maré por um caminho sem volta... Ou a primeira vez em que eu me esqueci de respirar, enquanto meu antigo eu ia embora de mãos dadas com a minha consciência...
É difícil não pensar na plenitude das risadas em contraste com o vazio das lágrimas, na presença tão distante e na distância sempre presente... Tantos olhares, mãos dadas e palavras ao vento... Tantos laços rompidos e confianças traídas... Incertezas tão certas, mas nunca sólidas...
Se eu pudesse definir esse ano em uma única palavra, essa seria Saudade... Uma consequência da mudança, talvez, mas tantas saudades... Saudades de antigas certezas, antigas convicções... Saudades dos perfumes inebriantes, dos sorrisos constantes e da delicadeza dos abraços... Saudades dos breves momentos que geraram meses e mais meses de lembranças... Saudades do que eu costumava ser e do que eu fui logo em seguida... Saudades da própria inconsciência e dos amores eternos que se foram em um piscar...
Não são coisas simples de se esquecer e eu sei que talvez eu, de fato, não esqueça...
Só sei que, desse ano, não levo as mágoas, pois delas é que nasceu minha força de perdoar aos outros e a mim mesma; não levo arrependimento, pois tudo acontece por um motivo e agora eu vejo que minha mudança era necessária; não levo tristezas, pois as mesmas fizeram nascer novas alegrias.
Levo comigo as lembranças, para que me façam sorrir quando eu achar que nada valeu a pena; levo comigo o meu aprendizado, tentando ser cada vez mais consciente diante dos desafios que vêm pela frente; levo comigo minha intuição, pois minha razão não é nada sem ela; e levo, acima de tudo, esperança, pois meus sonhos estão cada vez mais próximos e só depende de mim persistir no árduo caminho até eles.
Estou pronta para o próximo ano, e vou mergulhar nele uma nova pessoa... Melhor? Não sei... Mas, pelo menos, um pouco mais consciente.



