quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O ano que se foi... O ano que vem vindo...


Chegou o fim do ano... Agora é tempo de festa e reflexão sobre o ano que se passou...
De um dos anos mais turbulentos da minha vida, houve muito que eu aprendi e que irei levar comigo adiante, porém, ao mesmo tempo, tem muita coisa que eu queria poder deixar pra trás...
Mas, não é fácil... Assim como é difícil pensar nesse ano sem me lembrar de certas coisas...
Como por exemplo a primeira vez em que eu perdi a cabeça e parti de um porto seguro para mares desconhecidos, simplesmente me deixando levar pela maré por um caminho sem volta... Ou a primeira vez em que eu me esqueci de respirar, enquanto meu antigo eu ia embora de mãos dadas com a minha consciência...
É difícil não pensar na plenitude das risadas em contraste com o vazio das lágrimas, na presença tão distante e na distância sempre presente... Tantos olhares, mãos dadas e palavras ao vento... Tantos laços rompidos e confianças traídas... Incertezas tão certas, mas nunca sólidas...
Se eu pudesse definir esse ano em uma única palavra, essa seria Saudade... Uma consequência da mudança, talvez, mas tantas saudades... Saudades de antigas certezas, antigas convicções... Saudades dos perfumes inebriantes, dos sorrisos constantes e da delicadeza dos abraços... Saudades dos breves momentos que geraram meses e mais meses de lembranças... Saudades do que eu costumava ser e do que eu fui logo em seguida... Saudades da própria inconsciência e dos amores eternos que se foram em um piscar...
Não são coisas simples de se esquecer e eu sei que talvez eu, de fato, não esqueça...
Só sei que, desse ano, não levo as mágoas, pois delas é que nasceu minha força de perdoar aos outros e a mim mesma; não levo arrependimento, pois tudo acontece por um motivo e agora eu vejo que minha mudança era necessária; não levo tristezas, pois as mesmas fizeram nascer novas alegrias.
Levo comigo as lembranças, para que me façam sorrir quando eu achar que nada valeu a pena; levo comigo o meu aprendizado, tentando ser cada vez mais consciente diante dos desafios que vêm pela frente; levo comigo minha intuição, pois minha razão não é nada sem ela; e levo, acima de tudo, esperança, pois meus sonhos estão cada vez mais próximos e só depende de mim persistir no árduo caminho até eles.
Estou pronta para o próximo ano, e vou mergulhar nele uma nova pessoa... Melhor? Não sei... Mas, pelo menos, um pouco mais consciente.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Chuva

É interessante como eu fico extremamente instrospectiva quando chove. Isso é muito bom e muito ruim ao mesmo tempo. É muito bom porque eu viajo livremente pelo meu mundo interior, pelos meus sonhos. Mas também é ruim porque, entre os grandes espaços de serenidade, há intervalos de inquietação. Embora grande parte das minhas inquietações venham de fora, elas revelam as inquietações internas, que se escondem no meu inconsciente e que vêm de coisas inacabadas, assuntos mal resolvidos tanto do interior como do exterior.
Fico feliz por meus estudos estarem me ajudando a entender melhor certas coisas com relação a isso, mas, ao mesmo tempo, é difícil perder certos "vícios de inconsciência". Um bom exemplo é a necessidade do amor romântico, a necessidade de achar em outra pessoa o que eu não consigo achar em mim mesma, a necessidade de me conectar com meu animus, só que da maneira errada.
Mesmo com a minha recente consciência do quanto essa maneira é errada e prejudicial, meu "vício inconsciente" me leva a querê-la, me leva a precisar dela. E é bem nessa falta do amor romântico que as projeções atacam! E uma delas (a mais forte até hoje) tem me atacado com todas as forças, me cutucando sempre que pode.
Eu tenho usado a escrita e a música como "portais" para meu interior e tentado viver as fantasias da projeção da maneira correta: interiormente. Confesso que não tem sido fácil, é sempre uma tentação me deixar levar pela projeção e quebrar todas as barreiras do mundo exterior em busca do meu animus logo ali, naquela pessoa. É realmente um vício difícil de lidar. Mas agora eu tenho minha consciência e, por mais que ela ainda seja sutil, vou usá-la para manter meu animus aqui dentro e desenvolvê-lo da maneira correta.
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Obs.: Para melhor entendimento do contexto do que escrevi, recomendo a leitura do livro WE - A Chave da Psicologia do Amor Romântico, de Robert A. Johnson.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Acredito

Eu acredito na miséria do homem tanto quanto na sua glória. Eu acredito na mentira, pois, sim, todos mentem. A única diferença entre uma mentira e uma omissão é a intensidade com que se pode machucar os outros. Da mesma maneira que as pessoas que menos querem nos machucar sempre são as que mais nos machucam no final. Não querer fazer o mal não significa não ter a capacidade de fazê-lo. E nós o fazemos.
Mas eu acredito na bondade dos corações evoluídos e no amor que a vida tende a nos ensinar através das mais difíceis provas e dos mais amargos pesares. E eis que então as mais belas flores nascem dos mais estéreis solos.
Por isso, eu acredito numa força maior sem duvidar da minha força interior. Eu acredito na morte da matéria e na perpetuação da energia, acredito em causas e consequencias mas nem por isso contesto milagres ou desacredito em anjos. Assim, questiono tanto quem não consegue sentir o poder de um amanhecer quanto quem vê santos, fadas e demônios em cada esquina.
Podem me achar sonhadora demais quando eu digo acreditar que a Lua é muito mais do que um satélite, mas eu duvido ser a única a enxergar essa verdade com tanta clareza.
E mesmo com tantas verdades e fatos, ainda não consigo me conformar com a inferioridade dos homens que não vêem luz no sorriso de uma criança ou algo sagrado nos olhos de um animal.
Mas essas são apenas crenças e convicções de uma aluna da vida. Você já aprendeu sua lição de hoje?

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Eu, menina

Sou uma menina
Sonhar é meu instinto
Não sou nada mais
Nada menos do que sinto

Eu acredito em anjos,
Duendes e fadas
Acredito em carinho
Em andar de mãos dadas

Tenho medo da mentira
Pois que ela é inevitável
E aprendo com os erros
Que o passado é imutável

Sou um sorriso, uma lágrima
Uma doce melodia
Me encanto e me fascino
Com a sua sinfonia

Não me ame ou odeie
Pois o futuro é incerto
Apenas me sinta
E me terá por perto

domingo, 8 de novembro de 2009

Nostalgia

Ouço antigas músicas
Leio antigas cartas
Vejo as memórias
Tão distantes, insensatas
Ora, quem diria
Que eu seria tocada pela nostalgia
Lembro de lágrimas e sorrio
Lembro de sorrisos e choro
Além dos mares da lembrança
Entre os sonhos e a realidade
Avisto a esperança
Nascida de uma saudade
Mais um suspiro e acordo
Desse devaneio tão querido
Memórias, lembranças que eu guardo
De um passado não esquecido

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Olho para o céu e a Lua reina absoluta. Nenhuma estrela sequer ousa competir com seu brilho. Maravilhada, reflito. A Lua Cheia representa a plenitude, porém também representa o fim de um ciclo. A Lua Minguante já vem enquanto meu pensamento está em plena Lua Nova, renovado. Acabei de terminar minha leitura do livro "WE - A Chave da Psicologia do Amor Romântico" e parei para pensar nos meus relacionamentos até hoje. Agora sei onde errei em cada um deles e onde os outros erraram também, tudo inconscientemente. E, junto com minha ligeira conscientização, me veio uma descoberta intrigante e ao mesmo tempo extremamente agradável que, pra falar a verdade, é totalmente óbvia. Avaliando os amores da minha vida, de todos eles, eu só amei, aliás amo, uma única pessoa com o amor humano, o amor verdadeiro. Claro que quando falo sobre essa única pessoa, não estou considerando família e amigos no geral porque é óbvio que amo minha família e meus amigos. Mas essa pessoa se destacou em meus pensamentos enquanto eu lia o último capítulo do livro, que falava sobre o amor e a amizade e que parecia estar descrevendo exatamente o nosso amor e a nossa amizade. E o mais interessante é que, ao dar um nome para o que eu sinto e enxergar o que isso realmente é, eu não me inflei de expectativas e ansiedades como eu faria normalmente; eu não considerei possibilidades, não corri para cultuar uma foto ou para ouvir sua voz no telefone. Fiquei muito feliz, porém foi uma felicidade tranquila. Ele tem a vida dele, eu tenho a minha. Assistimos aos tropeços um do outro, nos ajudamos quando é possível, e simplesmente ouvimos quando não há nada a se fazer. Quando é possível, nos reencontramos e nos alegramos com a presença um do outro, rimos da desgraça alheia e da nossa própria desgraça. Depois voltamos às nossas vidas, aos nossos relacionamentos, aos nossos "amores", sem preocupações, sem dores de cabeça, sem ciúmes. Torcemos e prezamos pelo bem-estar e pela felicidade um do outro e mesmo que fiquemos sem conversar por anos, quando restabelecemos contato é como se nunca tivéssemos parado de conversar. Eu o amo com um amor humano, diferente dos meus outros amores nos quais eu "venerava" a pessoa. Talvez isso se deva ao fato de nunca ter havido o romance entre nós para encher nosso sentimento de dúvidas e confusões. E, sinceramente, eu prefiro que continue assim.
E agora que eu sei como o amor humano é de verdade, eu saberei como reconhecê-lo quando ele nascer de um relacionamento (como namoro, por exemplo) e poderei protegê-lo quando o romance tentar "atacar". Da mesma maneira que o amor romântico nunca conseguiu se intrometer entre esse meu amigo e eu, nem distorcer a genuinidade do nosso amor.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Tenho estudado e pensado. Tenho andado pelas ruas raciocinando, filosofando sobre minha vida e os relacionamentos no decorrer dela, tanto meus quanto das pessoas ao meu redor.
Tenho lido sobre a alma e sobre como buscamos e projetamos ela em outras pessoas. Na nossa eterna busca de plenitude, não nos damos conta de que não é preciso viajar até tão longe ou endeusar pessoas para nos encontrar.
Ao mesmo tempo, é interessante saber a grande, porém pouco conhecida diferença entre romance e compromisso. E é, realmente, o maior desafio de todos saber conciliar os dois.
Agora eu entendo os meus erros e os erros dos outros nos relacionamentos e sei o quanto é difícil enxergar isso quando a paixão cai sobre nós.
Agora eu entendo o por quê desse aperto no coração, essa necessidade de "amar" e "ser amado".
E agora eu sei o que eu devo tentar consertar na minha visão de relacionamentos e aplicar desde já na minha vida.
Claro, não é fácil.
Dizer para uma pessoa que o "amor verdadeiro" não é nada do que ela pensa é a mesma coisa que dizer para criança que a vida nunca vai ser como nos finais felizes de contos de fadas. Mas quando essa criança crescer e amadurecer seu pensamento, vai ver que o fato de a vida não ser um conto de fadas não quer dizer que ela não possa ser tão boa quanto.
E é engraçado como agora eu olho para as pessoas dizendo "eu te amo" pra cima e pra baixo e não tenho mais raiva ou as considero ignorantes. Eu as olho como quem olha para crianças brincando inocentes no parquinho, procurando príncipes encantados e princesas sem saber o que realmente procuram.
Não que eu não seja uma criança também. Apenas descobri algumas verdades, como Papai Noel e Coelhinho da Páscoa não existirem, e estou tentando aceitá-las e, como já disse anteriormente, aplicá-las na minha vida.
Agora eu sei o que me falta, sei onde procurar... Porém, ainda assim, não é uma tarefa nem um pouco fácil. É uma longa jornada que ainda vai envolver muito estudo e muitas lições práticas. Já tomei meu fôlego e estou dando meu primeiro passo. Que venha a vida!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Hoje não me ocorreu nenhum poema. Por isso, resolvi simplesmente contar meu dia. Pode não ser interessante, afinal foi um dia muito comum, mas meus pensamentos foram dos mais diversos e simplesmente preciso guardá-los em algum lugar.
Hoje acordei antes do meu horário, com um clarão de um trovão. Lá fora, mais trovejava do que chovia. Abrir os olhos tão repentinamente foi um pouco intrigante, pois as lembranças e pensamentos dos últimos dias acordaram todos de uma vez no meu peito. Fechei os olhos novamente, tentando fugir, e só fui acordar novamente com o despertador.
Na faculdade, estranharam um pouco minha falta de ânimo. Normal pra quem me viu quieta e sorrindo sem vontade ao invés de pulando, gargalhando e brincando de pela faculdade toda como eu normalmente faço. Fiquei irritada comigo mesma pelo desânimo, mas tive que ter paciência. Se for pensar bem, apesar de eu ter me recuperado rápido, ainda não faz nem uma semana que sofri uma grande decepção e é normal eu não estar andando por aí achando a vida maravilhosa.
Na verdade, só percebi meu estado semi-vegetativo quando uma colega minha se virou pra mim no meio da aula e me entregou algo. Era um origami que ela tinha acabado de fazer com um "For Tai" escrito no lado. Fiquei extremamente comovida com esse gesto e só voltei a mim quando me peguei saindo da sala e secando uma lágrima ousada que brincava na pontinha do meu olho.
Perdi o ônibus pra voltar pra casa, então resolvi voltar à pé. Não é muito longe e, em meu semi-transe, foi rápido. No caminho, fui pensando sobre erros e perdão. Até que ponto podemos nos apoiar na idéia de que errar é humano para nos sentirmos melhor em relação aos nossos erros? E quais os limites do perdão? Existem erros imperdoáveis ou precisamos aceitar e perdoar as falhas do próximo, por mais que essas falhas tenham nos machucado? Pensei sobre confiança. Como podemos confiar e ser confiáveis às outras pessoas quando às vezes somos capazes de trair a nós mesmos?
Ontem ouvi a seguinte frase: "Sentimentalismo é sinônimo de Vulnerabilidade" e achei muito correta. Então, se soubermos nos poupar de nos envolver facilmente e nos apegar às pessoas, isso pode nos deixar imunes às grandes decepções. E, se não esperarmos nada de alguém, essa pessoa não tem como nos decepcionar. Essa linha de pensamento tem me parecido muito sensata e muito ideal. Porém, como ensinar isso a um coração tão cativável?
Cheguei em casa com essa última pergunta fixa na cabeça e, não encontrando resposta imediata, almocei e tirei um cochilo. Acordei do cochilo e, sem levantar da cama, olhei no relógio. Naquele mesmo horário, há exatamente uma semana atrás, eu observava "ele" dormindo, acariciando seus cabelos. Olhei para as minhas mãos e as fechei em punho com força. Abracei o travesseiro, sem forças para levantar. Fiquei uns 5 minutos assim, respirei fundo e levantei sem pensar mais nisso.
O resto do meu dia me distraí treinando os passos do Tribal Fusion e assistindo um filme de comédia romântica. É, comédia romântica não é muito indicado em momentos assim, mas não foi tão ruim quanto pensei.
E meu dia foi basicamente isso... Como eu disse no começo, com pensamentos diversos. Espero poder aplicar tudo o que tenho pensado e aprendido daqui pra frente.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Sou


Sou a terra que afaga teus pés.
Sou a água que mata a tua sede.
Sou o vento que acaricia teus cabelos.
Sou o fogo que consome teu desejo.
Sou a guerra de luz e trevas.
Sou, finalmente, filha da Terra e aluna da Lua.
Sou tudo que tu podes ter, porém nada do que merecerás.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Rabiscos


Rabisco e escrevo
Palavras de amor e de ódio
Palavras sábias de quem nada sabe
Palavras de um pensante, de um pensador
Pensador de muitos sonhos e poucas razões
Que, cansado, segue um coração incansável
Amando sem saber amar
Esqueço em minhas palavras
As pessoas que não quero lembrar
Os passos que eu nunca quis dar
E as lágrimas que insistem em escapar
Aprisiono no papel
O que deixo para trás
E carrego no bolso
As sementes do que aprendi
Para poder plantá-las no coração
E regar o meu futuro

O erro


Errar é humano e é aprendizado
Se arrepender é consciência

Pedir perdão é nobreza
Porém erros não são apagados
E nem todas as feridas cicatrizam
O perdão não garante a redenção
E as consequências sempre vêm,
Proporcionais ao erro cometido

Logo, a melhor maneira de se consertar um erro
É não o cometendo.

Fascínio

Na falta de amor, chorei
No auge da dor, odiei
Uma mentira, uma traição
Tenho forças para o perdão?
Em um sonho, vivi

Na triste verdade, morri
O que é mais difícil de ser perdoado,

O seu erro
Ou você nunca ter me amado?
Na beira do penhasco

É possível amar o carrasco

Que te empurra sem querer empurrar?
Em um fascínio,
Amo o assassino
Do meu próprio amar


Minha dor

Eu posso senti-la se aproximar lentamente
Seus passos são suaves, porém convictos
Ela me abraça apaixonada
E me sussurra palavras de amor
Não quero olhá-la nos olhos
Pois nos meus as lágrimas começam a pesar
Apenas espero em silêncio,
Espero que ela se vá
Mas ela permanece e me abraça mais forte
E então já é tarde demais
Me deixo envolver, cedendo ao seu beijo
Um beijo tão amargo que beira a doçura
Dançamos juntas sob a abóbada
Iluminadas por um luar solitário
Suas mãos deslizam delicadamente até meu coração
E, enquanto ela o esmaga, quase sinto prazer
Ela me ama e me faz amá-la
Sei que um dia ela vai embora novamente
Sem deixar saudades,
Apenas uma promessa de retorno