quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Hoje

Hoje é um daqueles dias névoa onde é tudo quase invisível, quase intocável. Fechar os olhos parece o único meio de me sentir aqui, afinal nesses dias fica mais difícil me encontrar. Tenho quase certeza de que estava aqui agora mesmo, mas eu me escapo como uma sombra que mal encontra sol para existir.
Hoje eu olhei uma ou duas fotos antigas. Esses sorrisos congelados no tempo, essas pessoas das quais poucas eu de fato tenho notícias hoje em dia... Isso sou eu? Como me sentir inteira se todos esses pedaços já se perderam em algum lugar pela caminhada constante e impiedosa da vida? E, mesmo que os encontre, como sentir o mesmo se tudo nunca passa de cumprimentos e sorrisos agora já vazios?
Hoje é um daqueles dias nos quais eu consigo invejar os fúteis, os rasos. Afinal, eles se bastam nas falsidades e coisas supérfluas. Apenas se bastam, não questionam, não buscam, não sofrem por nada a mais. Estão sempre inteiros na sua futilidade e possuem felicidade, ainda que ilusória. Mas em dias como hoje me parece melhor alcançar essa felicidade ilusória do que estar sempre tocando apenas com as pontas dos dedos algo que seja concreto.
Hoje eu ainda não liguei para os meus amigos. Não sei bem ao certo até que ponto seria incômodo, até porque meus pensamentos desordenados mal encontram sentido pra pular peito afora.
Ainda não fiz planos de sair lá fora. Hoje o mundo me parece frio demais.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Não negue

Não negue, nem tente
Pois da sua memória sei que não escapo
No breve silêncio, na compatibilidade ausente
É lá que eu estou
Num final de noite, numa manhã de Domingo
Quando o encantamento por um momento esvanece
É a minha voz no seu ouvido que te aquieta
É a minha presença que sua distância não esquece
Do seu lado não me quer
Distante menos ainda
Quando tão perto teme a mulher
Quando tão longe sente falta da amiga
Não negue, nem tente
Sou a calmaria do seu mar
Nas profundezas da sua mente
Eu sempre vou estar
__________________________________________________________

(Eu escrevi esse poema para o meu atual namorado, em tempos remotos... Postei só agora porque hoje em dia é menos polêmico! Hehe)

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Mal me quer


Esses dias eu tenho pensado nos meus ex-amigos...
Não gosto de usar a palavra "inimigo" porque ela tem significado forte e eu acredito (e espero) que não seja para tanto. Mas tenho pensado sobre essas pessoas, com as quais eu tive algum tipo de contato tranqüilo a princípio, porém desagradável no final das contas.
Não são tantas pessoas assim e, na maioria dos casos, tudo surgiu de pré-julgamentos e mal-entendidos que alguma das partes nunca fez questão de esclarecer...
Enfim, só posso falar por mim. Eu sempre fui mais de me unir às pessoas do que de manter distância delas. Minha ingenuidade foi achar que todas mereciam isso.
Foi difícil pra mim aprender que há pessoas e pessoas, amizades e amizades. Há aquelas amizades fúteis, que duram enquanto você serve para os interesses do outro e terminam à partir do momento em que você diz "não" para seus caprichos. Existem amizades baseadas em inveja, onde o sonho da pessoa é ser como você e você demora pra perceber o mal que ela te causa sem que ela mesma se dê conta. Tem as amizades falsas, que são as mais comuns e dispensam comentários. E as amizades com ex-namorados, que eu venho aceitando que nem sempre não dão certo.
Eu passei por todas essas amizades e a maioria dos meus ex-amigos vêm delas. Nem sempre eu consegui conter minha raiva ou minha vontade de falar umas verdades, mas a verdade verdadeira é que não vale a pena. Não vale a pena ter raiva, guardar rancor, gastar saliva. Ninguém passa por nossa vida à toa e vice-versa. O importante é aprender com cada experiência, agradável ou não, e seguir em frente.
Ninguém é perfeito e não tem como se dar bem com todo mundo, sempre vai ter alguém que não gosta de você pelo simples fato de você existir. Isso é ridículo, mas o ser humano é ridículo. Alguns apenas o são um pouquinho mais. Paciência.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Felizes para sempre

"- Eu não acredito em casamento..."
Olhos arregalados de espanto e indignação. Uma das minhas amigas, noiva, escondeu inconscientemente a mão com a aliança dourada embaixo da mesa apavorada enquanto a outra me olhava com desaprovação, como se eu tivesse gerado um mau agouro. Por um momento, eu me senti na Idade Média dizendo "Eu não acredito em Deus..." e quase pude sentir o calor das chamas da fogueira.
Os homens à mesa me olharam com aprovação, comentando algo mais à favor, enquanto elas pareciam perplexas com a minha "traição".
Ainda tentei me explicar, como se eu realmente tivesse dito alguma ofensa, mas uma delas encerrou o assunto dizendo, ainda com ar de desaprovação, que cada um pensa de um jeito.
Saímos da conveniência em grupos, eu ainda prolongando um pouco o assunto com os rapazes, dessa vez falando baixinho, e elas um pouco pra trás, num clima meio "Queimem as bruxas"...
E, desde ontem (quando isso aconteceu), eu venho pensando sobre isso...
Eu, como sonhadora nata, sempre me imaginei casando, construindo uma familia e envelhecendo ao lado de alguém. A idéia de "até que a morte os separe" é muito bonita.
Mas, de uns tempos pra cá, eu tenho percebido que não acontece bem assim.
Primeiro porque as pessoas sempre têm essa ilusão de que o casamento é algo fácil, que é só ter "amor" que tudo dá certo... Ninguém pára pra pensar que compromisso está diretamente ligado a esforço. Sim, esforço e tolerância para conviver ao lado de uma mesma pessoa, com suas mesmas manias e chatices e defeitos pelo resto da vida... Convivência é algo complicado e é suportando ela que nasce o amor de verdade. Meu parâmetro de comparação é a própria convivência com a minha familia. Tem dias que é uma droga! Tem dias que eu quero ir embora e nunca mais voltar. Mas, no final das contas, mesmo com as brigas, os defeitos enormes e as diferenças, eu amo eles. Esse é o amor genuíno. Amor é tolerância, tolerância é esforço e casamento é rotina.
Ah, a rotina! Trabalho, contas, filhos, sexo, contas, mais contas, trabalho, trabalho em dobro, filhos, sexo, filhos, filhos, contas. É por isso que divórcios ou casamentos abertos são infelizmente cada vez mais comuns, nós simplesmente não suportamos viver de rotina.
Me mostre alguém que diga com toda a sinceridade que, em mais de 10 anos de casado, é plenamente feliz com seu casamento. É sério, estou pedindo de verdade que alguém devolva minha crença plena nessa união!
Não que eu vá vestir aquela camiseta com o desenho de dois noivos escrita "Game Over" e ser solteira o resto da vida... Eu sei que talvez eu venha a me casar algum dia, não sou hipócrita de dizer que nunca mais vou considerar essa possibilidade. Mas isso só vai acontecer quando eu puder trocar juras que ambos, de fato, irão cumprir com tolerância, respeito e compromisso e não palavras melosas ao vento.

domingo, 27 de junho de 2010

Aquele momento

Há sempre aquele momento, aquele breve silêncio que intercala os risos ou intercede a beira das lágrimas em que eu queria falar... A ânsia de falar é tão grande que fecha minha garganta e sufoca meu peito, talvez por serem palavras intensas, palavras de sentimento. Elas doem quando transbordam na vontade de se mostrar, assim como o próprio sentimento em si quando não se aguenta quieto. E eu não me aguento quieta, eu queria falar... Meus dedos deslizam distraídos por cabelos de caracol enquanto minha boca permanece em agonia, tateando, buscando o fôlego certo. Às vezes as letras queimam a ponta da língua, prontas para deslizarem em sussurro, mas um temor as coloca para fora mudas num suspiro. E eu queria tanto falar... Mas a verdade é que essas palavras são meu eu nu, e é aterrorizante pensar em me expor a tal ponto. Permaneço então em silêncio e tento traduzir tudo em gestos simples, tão sutis que só entregam o significado se o destinatário realmente os sentir. Assim, me protejo e te protejo.
Quando meus olhos fixarem teu rosto ou quando minha boca sorrir na tua, simplesmente me sinta. Deixo-te livre, o peso do meu sentimento carrego eu.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Contos e a Lua II

"Meu coração é como o mar..." Ela sussurrou triste, embora eu não tenha entendido o porquê na época. Meu próprio coração ainda era muito jovem para entender a profundidade de uma pessoa como Agatha. Apenas sorri, trazendo suas mãos mornas até meus lábios e secando uma última lágrima em seu belo rosto. "Vamos?" Eu disse, puxando-a devagar. Pude vê-la desviar ligeiramente seu olhar para a Lua antes de entrarmos novamente no salão.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Hai Kai

Um caro amigo meu, excelente poeta e escritor por sinal, me apresentou ao mundo dos hai kai. São poemas pequenos (de 3 linhas apenas) mas que passam muito com suas poucas palavras. Eu li vários e gostei muito, ainda mais pela sua origem japonesa. Meu amigo, lógico, pegou o jeito fácil e já saiu criando um monte deles. Mas eu tenho muita dificuldade de escrever coisas do jeito que eu quero, normalmente o que eu escrevo apenas flui, sem eu estar pensando na estrutura da coisa ou em como eu quero que ela saia. E não poderia ser diferente nesse caso, ainda mais tentando falar muito escrevendo pouco. Só nessa introdução já falei muito pra pouca coisa...
Enfim... Aí vai meu primeiro hai kai...


Corre
A rosa na mão
Caminho de pétalas no ar