Há sempre aquele momento, aquele breve silêncio que intercala os risos ou intercede a beira das lágrimas em que eu queria falar... A ânsia de falar é tão grande que fecha minha garganta e sufoca meu peito, talvez por serem palavras intensas, palavras de sentimento. Elas doem quando transbordam na vontade de se mostrar, assim como o próprio sentimento em si quando não se aguenta quieto. E eu não me aguento quieta, eu queria falar... Meus dedos deslizam distraídos por cabelos de caracol enquanto minha boca permanece em agonia, tateando, buscando o fôlego certo. Às vezes as letras queimam a ponta da língua, prontas para deslizarem em sussurro, mas um temor as coloca para fora mudas num suspiro. E eu queria tanto falar... Mas a verdade é que essas palavras são meu eu nu, e é aterrorizante pensar em me expor a tal ponto. Permaneço então em silêncio e tento traduzir tudo em gestos simples, tão sutis que só entregam o significado se o destinatário realmente os sentir. Assim, me protejo e te protejo.
Quando meus olhos fixarem teu rosto ou quando minha boca sorrir na tua, simplesmente me sinta. Deixo-te livre, o peso do meu sentimento carrego eu.
Quando meus olhos fixarem teu rosto ou quando minha boca sorrir na tua, simplesmente me sinta. Deixo-te livre, o peso do meu sentimento carrego eu.
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